Dark kitchen é o modelo de negócio do momento para quem quer empreender em gastronomia.

Se você sempre quis trabalhar com alimentação, mas esbarrava nas burocracias de um restaurante tradicional, essa é a oportunidade perfeita.

Com a “cozinha fantasma”, você não precisa se preocupar em alugar o melhor ponto comercial ou em ter o melhor serviço à la carte ou self-service: basta preparar uma boa comida e trabalhar somente com delivery.

Vamos entender melhor como funciona esse modelo e por que vale a pena ter sua dark kitchen como MEI nos tópicos a seguir:

Leia até o fim e aproveite essa tendência promissora do mercado de gastronomia.

O que é dark kitchen?

Dark kitchen, também chamada de ghost kitchen (cozinha fantasma) ou virtual kitchen (cozinha virtual), é um modelo de cozinha que trabalha apenas com delivery de alimentos, sem contato com o cliente.

O termo pode ser traduzido para “cozinha oculta” e representa esse novo conceito de restaurante que foca somente na preparação e entrega de refeições.

Em vez de alugar um ponto, decorar todo o estabelecimento, contratar garçons e gerenciar um salão, o empreendedor do ramo de food service pode simplesmente montar uma cozinha fechada e vender somente por delivery.

Com isso, há bastante redução de custos e a operação fica muito mais eficiente, aumentando os lucros.

É importante ressaltar que a dark kitchen é diferente de um restaurante que só não tem consumo no local, como acontece em algumas pizzarias que só trabalham com entrega, por exemplo.

Nesses estabelecimentos, ainda existe uma fachada com a marca, e alguns oferecem a opção de retirada do pedido no local.

Já as dark kitchens são completamente fechadas, não aceitam retirada e quem passa em frente nem percebe que ali funciona uma cozinha — a não ser pelo fluxo de entregadores.

O modelo ganhou força com a pandemia, pois os pedidos de delivery de comida cresceram 250% durante o período, segundo dados da Food Consulting publicados no Terra.

Um estudo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), em parceria com a consultoria Galunion, publicado na PEGN, também mostrou que 9% dos restaurantes passaram a trabalhar com dark kitchen durante a crise, enquanto 21% já utilizavam o formato.

Em tempos de distanciamento social, essa foi a solução encontrada para adaptar o setor de food service ao “novo normal”.

Dark kitchen e iFood: qual a relação?

Dark kitchen tem tudo a ver com plataformas como o iFood porque esse modelo só se tornou possível com o boom das entregas por aplicativo.

Durante a pandemia, os gastos com pedidos de comida pelos apps Rappi, iFood e Uber Eats cresceram 149%, segundo dados da Mobills publicados no UOL.

Somente no iFood, existem mais de 160 mil entregadores cadastrados, e eles são responsáveis por entregar as refeições e lanches das dark kitchens aos consumidores.

Inclusive, muitas cozinhas investem em infraestrutura (área de descanso, banheiro, Wi-Fi, etc.) para receber os entregadores de aplicativo, de modo que eles estejam sempre disponíveis para coletar os pedidos.

Afinal, o tempo de entrega faz toda a diferença para o sucesso do negócio.

Para fechar a parceria com o iFood, por exemplo, sua dark kitchen só precisa ter um CNPJ do ramo alimentício e respeitar as regras sanitárias do município.

Dessa forma, você consegue atuar em vários aplicativos de uma vez e ampliar suas entregas até o limite da capacidade.

Vale a pena ter uma dark kitchen?

Tem pouco dinheiro para investir e quer empreender no ramo alimentício?
A dark kitchen é uma ótima opção para você!

Você pode facilmente abrir uma MEI e montar sua cozinha, sem precisar se preocupar com o aluguel de um espaço e todos os gastos de um restaurante tradicional.

Até os empresários que já têm restaurantes estão abrindo dark kitchens para ampliar seus negócios com baixo investimento.

De acordo com uma pesquisa da VR Benefícios publicada no E-commerce Brasil:

1 em cada 5 empreendedores do ramo de alimentação pretendem migrar para o modelo de dark kitchen.

Já vamos entender por que esse modelo de negócio está fazendo tanto sucesso.

5 razões para empreender com uma dark kitchen

Existem boas razões para começar a empreender do zero com uma dark kitchen.

Confira as principais vantagens desse modelo de negócio.

1. Baixo investimento inicial

Uma das maiores vantagens da dark kitchen é que o investimento inicial é baixíssimo comparado ao de um restaurante tradicional.

De acordo com a pesquisa feita pela ANR e Galunion mencionada anteriormente, os empresários gastam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil para montar uma cozinha fantasma.

Isso porque o espaço alugado pode ser muito menor do que o de um restaurante e não é preciso gastar com mesas, cadeiras, fachada, decoração, contratação de garçons e atendentes, etc.

Além disso, a localização não precisa ser em um ponto comercial estratégico — na verdade, quanto mais discreto for o local, melhor.

2. Custos muito menores

Além do baixo capital inicial, a dark kitchen tem custos de funcionamento muito menores do que os de um restaurante.

Depois de investir nos equipamentos e estrutura, você só terá que pagar o salário do cozinheiro, supondo que você mesmo vá fazer o atendimento dos pedidos, e arcar com custos básicos como locação do espaço, energia elétrica, água, internet, etc.

No fim das contas, o potencial de lucro é grande.

3. Operação mais eficiente

Outra vantagem que chama a atenção na dark kitchen é a eficiência da operação, já que é um negócio muito mais simples de ser gerenciado.

No dia a dia do restaurante, é preciso se preocupar com inúmeros detalhes para servir bem os clientes e dar conta do movimento do salão — e muitos imprevistos acontecem.

Já na dark kitchen é tudo 100% controlado e enxuto, pois vários alimentos são preparados com antecedência e você só precisa acompanhar o ritmo dos pedidos nas plataformas.

Além disso, não há distrações com clientes e demandas urgentes do lado de fora.

Com isso, a cozinha se torna muito mais ágil e produtiva.

4. Diversos modelos de negócio

A dark kitchen também é muito versátil e permite vários modelos de negócio.

Você pode optar pelo modelo tradicional 100% delivery, manter um restaurante com dark kitchen separada para entregas ou mesmo participar de uma cloud kitchen — uma cozinha compartilhada com várias outras marcas e sistemas integrados.

Existe ainda o modelo de kitchen as a service (cozinha como serviço), que é basicamente uma empresa que oferece o serviço de terceirização da cozinha para restaurantes que querem trabalhar com delivery e não têm estrutura própria.

5. Parcerias com apps

Graças às parcerias com apps de delivery, você não precisa se preocupar em montar um serviço próprio de entrega ou contratar um motoboy.

Basta fazer o cadastro nos aplicativos desejados e aguardar a aprovação para começar a enviar seus pedidos sem burocracia, em troca de uma comissão.

Como montar uma dark kitchen como MEI

Se você ficou interessado em abrir sua dark kitchen como MEI, temos um passo a passo muito útil.

Confira:

1. Decida que tipo de alimento você quer vender

O primeiro passo para montar sua dark kitchen é decidir em que ramo da alimentação você vai atuar.

Na prática, a cozinha fantasma pode trabalhar com qualquer tipo de gastronomia — inclusive com várias ao mesmo tempo.

Então, escolha o tipo de comida que você acha mais promissor para o mercado local e que pode impressionar os clientes pelo sabor.

Algumas sugestões são hambúrguer, comida japonesa, comida árabe, pizzas, marmitex, doces e comida vegetariana.

2. Mire em um público específico

O público-alvo das dark kitchens é totalmente diferente do público dos restaurantes tradicionais.

São pessoas que buscam praticidade, rapidez na entrega, sabor e bom custo-benefício — e que não estão preocupadas com a experiência de comer em um estabelecimento.

Logo, é importante pesquisar bem o segmento escolhido e mirar nos clientes certos para ter sucesso com sua cozinha.

3. Prepare o espaço

Se você já sabe o que quer vender e para quem, o próximo passo é montar o espaço onde a dark kitchen vai funcionar.

Você vai precisar de um local com no mínimo 30 metros quadrados que tenha uma cozinha, um pequeno estoque, banheiros e um balcão para despachar os pedidos.

Além disso, precisará comprar equipamentos como fogão industrial, forno elétrico, geladeiras e freezers, armários, máquinas de embalagens e utensílios de cozinha.

4. Abra sua MEI

Agora que você tem a estrutura da dark kitchen pronta, precisa formalizar seu negócio.

Existem vários CNAEs possíveis dentro das atividades MEI permitidas, como proprietário de restaurante ou cozinheiro que fornece alimentos prontos e embalados para consumo.

Felizmente, você pode abrir sua MEI 100% online em um processo rápido que gera seu CNPJ na hora.

Veja como abrir MEI passo a passo.

5. Atenda às exigências sanitárias

Para trabalhar com alimentos, você vai precisar cumprir os requisitos da Vigilância Sanitária, que variam conforme a região.

Os mais comuns são higiene do estabelecimento, manejo de resíduos e controle de pragas, mas é importante ter um contador para orientar você na hora de obter o licenciamento.

6. Contrate um funcionário

É praticamente impossível cozinhar e ainda atender os pedidos, por menor que seja sua dark kitchen.

Ainda bem que o MEI pode contratar um funcionário, que nesse caso ficará responsável pelo preparo dos alimentos enquanto você cuida do atendimento e gestão geral do negócio.

7. Faça o cadastro nos apps

O melhor negócio para a dark kitchen que está começando é fazer parcerias com os apps de delivery de comida como iFood, Uber Eats e Rappi.

Essas empresas cobram comissões e mensalidades, mas mesmo assim ainda sai mais caro ter um serviço de entrega próprio no início.

Outro ponto importante é que você terá visibilidade nas plataformas e poderá construir sua reputação com os clientes locais.

Bônus: 5 dicas para ter sucesso com sua dark kitchen

Agora que você está pronto para ter sua dark kitchen, aí vão algumas dicas para ter sucesso desde o início:

  1. Mantenha um cardápio enxuto no início e vá ampliando as opções gradualmente, para não sobrecarregar sua cozinha e manter a qualidade do serviço
  2. Escolha os apps de delivery com as taxas e condições mais atrativas
  3. Trabalhe sua marca e reputação nos aplicativos para atrair cada vez mais clientes
  4. Faça a divulgação da empresa em redes sociais
  5. Negocie com fornecedores para conseguir preços melhores nos ingredientes e embalagens.

E então, ficou empolgado para abrir sua dark kitchen?

Aproveite e tire todas as suas dúvidas sobre o MEI para começar do jeito certo.