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Como evitar calotes de clientes?

Todo empreendedor deseja ter sucesso em seu negócio e isso significa aumentar cada vez mais as vendas de produtos ou serviços. No entanto, embora o aumento do faturamento signifique mais dinheiro e sucesso nas suas vendas e seu negócio decolando, o MEI pode acabar enfrentando um problema comum em todos os segmentos da economia: a ausência de pagamento, também conhecida como calote.

É comum começarmos o negócio de “porta em porta” ou de mensagem em mensagem pelo Whatsapp e redes sociais, realizando encomendas e fazendo de tudo para conquistar os mesmos clientes, mesmo que isso signifique o “pagar depois”. Todo mundo sabe que início de negócios também significa jogo de cintura, principalmente quando se fala de flexibilizar formas de pagamento para vender mais.

Em um cenário pós crise, com muitas pessoas endividadas e lutando para se restabelecer financeiramente, se livrando de dívidas e até nome sujo, ser cauteloso na hora de fechar suas vendas se tornou essencial para o microempreendedor. Por isso, é preciso tomar uma série de precauções e usar as estratégias corretas para administrar os lucros e evitar prejuízos.

 

Ter clientes que são bons pagadores é fundamental, contar apenas com a sorte é arriscado!

O MEI deve ter em mente que todo processo de venda deve ser feito corretamente para que você não tenha problemas de calotes dos consumidores. É comum dar um voto de confiança para alguns clientes e até mesmo fornecedores parceiros, mas é preciso ficar atento a alguns sinais. Pode parecer algo difícil para o microempreendedor ou assustador no meio de tantas atividades do dia a dia do MEI, mas, tomando alguns cuidados, você previne seu risco de não pagamento.

Para isso, preparamos a seguir algumas dicas para você que quer evitar calotes em seu negócio:

  1. Evite o recebimento de pagamentos em cheque: infelizmente esse meio é mais suscetível a problemas em recebimento, já que nem sempre o cliente tem recursos para cobrir os valores comprometidos no documento. Sempre que possível, dê aos seus clientes outros meios de pagamento como em dinheiro, depósito/transferência, boletos ou por meio do uso de cartão de crédito e débito;
  2. Ofereça descontos para bons pagadores: quem paga à vista pode ser recompensado com descontos, brindes etc. Para quem trabalha em segmentos como beleza e estética essa é uma forma de fidelizar e ainda garantir que o cliente pague e saia feliz com o que ganhou. Além disso, cupons de desconto com algumas condições também podem atrair mais clientes e incentivar o pagamento correto. Receber à vista nunca terá risco de calote, certo? Então incentive!
  3. Tenha opções de pagamento: quem nunca saiu para comprar apenas uma coisinha, mas se empolgou quando percebeu que o profissional ou estabelecimento aceitava cartão ou parcelava os valores? Poder pagar com cartão pode abrir portas para o seu negócio. Além de garantir que você receba mais facilmente,  também pode ajudar a incentivar o cliente a comprar mais (já falamos disso aqui no blog). Sempre que possível, invista em uma máquina portátil de cartão de débito e crédito. Dessa forma, você consegue receber mais rapidamente do cliente e facilitar o pagamento parcelando a compra em prestações, o que pode aumentar suas vendas. Além da maquininha, não se esqueça de outra forma bem interessante de receber pagamentos: boletos bancários! Lembre-se que emitir boleto também pode ser uma boa forma de ajudar a facilitar o pagamento para o seu cliente;
  4. Crie mecanismos para ajudar a cobrança (pedido de sinal, lembretes e contratos): se você oferece serviços que permitem que seu cliente contrate seu trabalho mensalmente ou por pacotes, crie um documento que resguarde você e que crie para cliente o comprometimento de pagamento. Segmentos como construção civil ou beleza e estética costumam a ter contratos entre fornecedor e clientes. Isso ajuda o cliente a saber o que está comprando/recebendo, quanto e quando deve pagar. Além disso, deixa o MEI com um documento de respaldo na mão para poder cobrar. Outra forma que ajuda a evitar prejuízos é combinar o famoso “sinal”, ou seja, um pagamento antecipado de um valor combinado entre cliente e empreendedor. Vai fazer doces para uma festa? O cliente deverá dar certeza da data, quantidade e pagar metade da encomenda na contratação e o restante no recebimento. Isso ajuda a filtrar clientes que estão na incerteza de contratação e principalmente pagamento do produto ou serviço;
  5. Analise para quem está vendendo: quem presta serviços na área de construção, por exemplo, em muitos casos investe em produtos e equipe para entregar o que o cliente contratou. Imagine fazer a instalação de gesso em uma residência: para isso o MEI gastou materiais, muitas vezes pagou um ajudante. Não receber por esse serviço seria um grande prejuízo. Ou uma diarista que se deslocou até o local, prestou o serviço e não recebeu. Nessas horas vale entender quem é o cliente e se “vale dar o crédito” para ele. Não existe uma receita única nesse tema, mas você pode definir que só vende a prazo para clientes com indicação ou que já estabeleceram uma relação e confiança com você.
  6. Faça um contrato assinado e emita nota fiscal: em caso de venda de produtos ou serviços você pode emitir nota fiscal como MEI e isso pode ajudar você a não ficar totalmente desamparado em caso de inadimplência. Com a nota fiscal, você consegue acionar o comprador para dessa forma solicitar o que lhe é devido. É importante também garantir a assinatura de um contrato formal com os dados da empresa (CNPJ, razão social) e os dados do cliente, sendo pessoa física ou também pessoa jurídica.

 

Meu cliente não tem como me pagar. Como posso resolver isso?

Há casos em que se chega a um ponto extremo: seu cliente não pode pagar pelo produto ou serviço que deve. Isso pode acontecer em qualquer tamanho de empresa, inclusive com o MEIs. O segredo nesse momento é ter jogo de cintura: converse francamente com o devedor e entenda o momento dele, proponha parcelamento para que a pessoa se reorganize e possa quitar a dívida. Se você ia cobrar juros, considere uma negociação, garantindo que você não saia na mão.

Além das dicas acima, vale lembrar que também é essencial que o microempreendedor se organize para não perder o controle de seus recebimentos por produtos vendidos ou serviços prestados. Lembre-se sempre de ter tudo anotado. Além de ajudar você a cobrar corretamente para receber o que deve, vai ajudar a controlar seu fluxo de caixa e finanças como um todo.

Não precisa ser algo complexo: uma planilha no computador (ou em um caderno mesmo) contendo o descritivo do produto vendido ou serviço prestado, nome completo do cliente, telefone, e-mail, dia da compra e valor são ótimos para cobrança e para você ter um registro do cliente para futuramente contatá-lo para novidades ou promoções. Veja um exemplo:

É importante para o MEI vender e pagar suas contas no final do mês, afinal são pequenos negócios que vão crescendo aos poucos, que muitas vezes foram criados por necessidade financeira e, por isso, sabemos que calotes são um dos maiores pesadelos de qualquer empreendedor. Infelizmente não existe garantia de recebimento em algumas situações, mas com organização, disciplina e algumas boas regrinhas é possível reduzir os riscos de fechar o mês com pendências de pagamento.

Tem outras dicas para compartilhar com empreendedores para evitar calote? Já resolveu pendências com clientes e recebeu o que era devido? Conte para nós e os demais MEIs nos comentários! 😉

 

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